🌊 Banhos de Cascata e 9 km de Teimosia
📅 2 de Setembro de 2026A primeira noite a dormir na cabine do nosso 4x4 no parque de campismo de Selfoss foi o verdadeiro teste à nossa capacidade de organização e sobrevivência familiar. Sem baixas a registar, levantámos acampamento bem cedo e fizemo-nos à icónica Ring Road em direção a este. O dia prometia água, muita água.
As Irmãs Molhadas: Seljalandsfoss e Gljúfrabúi
A primeira paragem foi a majestosa Seljalandsfoss. Esta não é uma cascata qualquer: é famosa porque nos permite caminhar por um trilho que passa exatamente por trás da queda de água de 60 metros. Vestimos os casacos impermeáveis e lá fomos nós, levando com um autêntico "duche nórdico".
Mas a nossa Escuteira de serviço e o nosso explorador mais velho não se contentavam com o óbvio. A poucos metros de distância, escondida dentro de um desfiladeiro estreito, está a Gljúfrabúi. Para lá chegar, tivemos de saltitar sobre pedras num rio raso por dentro de uma caverna. A recompensa? Uma queda de água secreta e mágica a bater nas rochas fechadas. A humidade estava no máximo, mas a experiência valeu cada gota.
💰 Skógafoss e o Tesouro Viking
Conduzimos mais um pouco e deparámo-nos com um autêntico paredão de água: a colossal Skógafoss. A força desta cascata é tão brutal que gera arco-íris duplos constantemente. A lenda local conta que um viking chamado Þrasi escondeu uma arca de ouro atrás desta cortina de água. Uma vez, um rapaz tentou puxá-la, mas ficou apenas com a argola da arca na mão. Nós não procurámos tesouros, mas enfrentámos as mais de 500 escadas para subir até ao topo e ver a vista abismal lá de cima. Haja pernas!
A Teimosia dos 9 Km (Sólheimasandur)
Se as pernas já doíam, o que se seguiu foi uma prova de resistência motivada puramente pelo nosso orçamento. Chegámos ao parque de estacionamento para visitar os famosos destroços do avião DC-3 da Marinha Americana, que fez uma aterragem de emergência na praia de areia negra em 1973 (toda a tripulação sobreviveu, felizmente!).
Existia um pequeno autocarro transfer para levar os turistas até ao avião. Mas nós, com o verdadeiro espírito estóico do Rodas, Patas e Malas, olhámos para o preço e dissemos: "Transfer? Nós andamos!". O resultado? Foram 4,5 km para a frente e 4,5 km para trás, a caminhar numa planície de areia negra, plana e ventosa, que parecia nunca mais acabar. Chegar à carcaça prateada do avião abandonado no cenário alienígena é incrível para as fotografias... mas o regresso ao carro gerou um nível de protesto audível em toda a costa sul da Islândia.
Trolls de Pedra e o Descanso em Vík
Com os pés já a pedir clemência, a última paragem épica do dia foi a praia de areia preta de Reynisfjara. É famosa pelas suas impressionantes colunas hexagonais de basalto e pelas poderosas "sneaker waves" (ondas traiçoeiras que arrastam turistas desatentos). Ao longe, no mar revolto, vimos os enormes rochedos de Reynisdrangar que, segundo a lenda islandesa, são trolls gigantes que foram apanhados pela luz do sol e transformados em pedra enquanto tentavam arrastar navios para terra.
Acabámos a nossa odisseia a chegar à pitoresca vila de Vík (Vík í Mýrdal). Estacionámos a nossa fiel casa ambulante no parque de campismo local, mesmo a tempo de preparar o jantar. Estamos esgotados, cheios de areia nas botas, mas com a certeza absoluta de que a Islândia não é deste planeta.