⛰️ A Passear pela Madeira: Das Nuvens do Areeiro às Vertigens do Cabo Girão
📅 2 de Fevereiro de 2020Manhã Preguiçosa e Rumo às Alturas
Depois de uma noite de sono revigorante no Pestana Royal, o dia começou da melhor forma: um pequeno-almoço faustoso, variado e servido com a inconfundível simpatia madeirense que nos põe logo de bom humor. Antes de ligar o motor, ainda fomos esticar as pernas e respirar o ar salgado da Praia Formosa logo ali ao lado. Mas a estrada chamava por nós, a capota do Audi recolheu e lá fomos nós, de cabelos ao vento, encosta acima a caminho do teto da ilha.
Pico do Areeiro: Pequeninos Perante a Imensidão
A subida até ao Pico do Areeiro (1810 metros de altitude!) é um daqueles trajetos que faz qualquer condutor sorrir e qualquer passageiro colar a cara à paisagem. É um dos três picos mais altos da Madeira e divide os concelhos do Funchal, Santana e Câmara de Lobos.
A melhor parte? Tem acesso direto por estrada alcatroada! Quando lá chegámos, o mar de nuvens abriu-se à nossa frente numa imensidão brutal que nos faz sentir minúsculos. Daqui parte o famoso trilho pedonal até ao Pico Ruivo, mas olhámos um para o outro e o consenso foi unânime: caminhadas épicas de cinco horas montanha fora não rimam com o nosso conceito de "escapadinha a dois para relaxar". As pernas agradeceram e seguimos viagem!
O Monte, as Torres e a Saudade dos Cestos
A descida levou-nos até à emblemática freguesia do Monte, com paragem obrigatória na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Monte. O templo é lindíssimo, de uma paz contagiante e muito bem cuidado. Subimos às suas torres — onde a vista panorâmica sobre a baía do Funchal é simplesmente de cortar a respiração. A subida não tem bilhete fixo, mas deixámos com gosto o nosso donativo na caixa de entrada; a conservação do nosso património histórico e cultural depende da ajuda de todos nós.
É também aqui que operam os lendários Carreiros do Monte. Vir ao Funchal, subir ao Monte e não descer naqueles carrinhos de cesto artesanais é como ir a Roma e não ver o Papa! Desta vez não descemos porque já tínhamos vivido essa adrenalina na viagem anterior em família, mas a recomendação fica registada para quem nunca experimentou: a perícia daqueles homens vestidos de branco e chapéu de palha a travar com a sola das botas pelas ladeiras de asfalto é um espetáculo imperdível!
Cabo Girão: Teste às Vertigens a 580 Metros de Altitude
Almoço tomado, energias repostas e novo destino na mira: o Cabo Girão. Se no Areeiro estávamos nas nuvens, aqui ficámos suspensos sobre o abismo. O miradouro conta com uma plataforma panorâmica em vidro transparente (à laia do Skywalk do Grand Canyon americano) que nos permite caminhar literalmente sobre o vazio.
Olhar em frente e ver o recorte recortado da falésia a mergulhar no Atlântico é lindo; olhar diretamente para baixo e ver as fajãs cultivadas e a rebentação das ondas centenas de metros sob as solas dos nossos sapatos dá aquele arrepio clássico na espinha. Imperdível!
"Caminhar sobre um chão de vidro com o oceano 580 metros abaixo dos pés é o teste supremo para quem diz que não tem vertigens!"
O Cartão Postal de Santana e o Merecido Regresso
Para coroar a tarde antes de regressarmos ao conforto do hotel, apontámos o descapotável a Santana. É impossível falar da Madeira sem pensar nas suas icónicas casinhas triangulares com telhados de colmo. Na praça central do município estão seis exemplares preservados com primor, acolhendo o posto de turismo, artesanato local e doçaria regional. Para quem viaja com miúdos ou quer aprofundar as tradições da ilha, uma visita ao Parque Temático da Madeira é também uma excelente aposta.
Com a tarde a cair, voltámos ao Funchal para gozar as comodidades do nosso hotel e fechar o dia com mais um brinde. Que volta magnífica!