🦟 Mosquitos, Castelos Negros e a Capital do Norte
📅 5 de Setembro de 2026A manhã começou nas margens do icónico Lago Mývatn. O cenário, com a neblina matinal a pairar sobre as águas paradas e as aves selvagens a mergulharem, era deslumbrante e altamente dramático para a recolha de boas fotografias após o pequeno-almoço na nossa autocaravana. Mas havia um pequeno (ou melhor, um milhão de pequenos) detalhes: os mosquitos!
Descobrimos da pior forma que "Mývatn" significa literalmente "Lago das Moscas". A nossa tentativa de um passeio tranquilo nas margens transformou-se numa dança ridícula de quatro pessoas a esbracejar loucamente enquanto corríamos de volta para o refúgio seguro do nosso 4x4. Sobrevivência: 1. Mosquitos: 0 (ou talvez o contrário).
Crateras Gigantes e Águas de Fantasia
Livres do enxame, conduzimos até à Cratera Hverfjall. Este vulcão maciço, criado há 2.500 anos, domina a paisagem com a sua cinza negra. A subida pelos caminhos pedonais até à crista é bastante exposta e as correntes de ar lá em cima são brutais. Felizmente, os nossos bons casacos corta-vento e a rotina de exploração da nossa Escuteira (sempre na linha da frente e habituada a este tipo de desafios) garantiram que chegássemos todos ao topo para desfrutar da vista panorâmica incrível sobre toda a região.
Para recuperar o fôlego, fizemos uma paragem rápida na Grjótagjá. É uma pequena fenda na terra que esconde uma nascente termal azul e translúcida dentro de uma gruta de lava. A água hoje em dia é demasiado quente e instável para banhos, mas o visual é tão fascinante que foi até usado como cenário na série Game of Thrones. Chegar lá de 4x4 foi um passeio no parque.
🏰 O Labirinto dos Trolls (Dimmuborgir)
Estacionámos confortavelmente a nossa casa rolante no parque de Dimmuborgir (que, maravilha das maravilhas, é de fácil acesso) para explorarmos o "Labirinto dos Castelos Negros".
Este campo de lava é surreal. O colapso de um antigo lago de lava incandescente gerou pilares, cavernas e arcos de rocha bizarros que se assemelham verdadeiramente a ruínas de velhas fortalezas. As antigas lendas do folclore islandês relatam que estas grutas vulcânicas são a morada dos temíveis Trolls e dos marotos Yule Lads (os Pais Natais islandeses). Percorremos algumas das rotas circulares codificadas por cores, num terreno excelente para uma caminhada tranquila a quatro, sem pressas e de olhos bem abertos para qualquer pedra que se movesse.
A Cascata dos Deuses e o Regresso à Civilização
De volta à Ring Road rumo a oeste, parámos na monumental Goðafoss, a "Cascata dos Deuses". Estacionar mesmo em frente à linha de água facilita imenso a vida! A queda de água lança-se por um precipício em ferradura de 12 metros de altura e os trilhos em ambas as margens deram-nos dezenas de ângulos para fotografias épicas.
O dia terminou com a tão desejada transição para o ambiente urbano. Chegámos a Akureyri, a pitoresca capital do norte da Islândia, encrustada no fundo de um longo fiorde. Demos entrada no parque de campismo, declarámos greve geral ao fogão da autocaravana e fomos testar um restaurante local para um merecido banquete.
Agora, enquanto a noite cai sobre a cidade, é o momento perfeito para encostar ao ecrã do tablet Lenovo e afinar a estrutura em PHP dos próximos artigos para o blogue. Entretanto, lá longe, no quentinho de casa em Portugal, o nosso filho do meio e o Rei Laranja vão recebendo pelo telemóvel as atualizações diárias da nossa odisseia, certamente muito felizes com a sua decisão de não terem vindo lutar com os mosquitos de Mývatn!